Justiça Federal afasta prefeito em exercício de Nova Friburgo (RJ)

Serrana do Rio. Dermeval Barboza, do PMDB, é suspeito de irregularidades na
aplicação do dinheiro que o município recebeu depois da tragédia das chuvas de janeiro.

O secretário de governo, José Ricardo Carvalho, também foi afastado preventivamente e
os dois tiveram os bens bloqueados.

O presidente da Câmara de Vereadores assumiu a prefeitura interinamente. O prefeito
afastado nega as irregularidades e diz que vai recorrer da decisão.

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2011/11/justica-federal-afasta-prefeito-em-
exercicio-de-nova-friburgo-rj.html

Infelizmente após cinco meses da tragédia que atingiu Nova
Friburgo só agora os órgãos competentes entraram com uma medida
contra as denúncias que pelo fato foi comprovado, o grande problema
desse roubo é que, mais uma vez quem sofre é a população que por conta
dessa lentidão da justiça e do desvio da verba pública está à mercê de
novas chuvas. Fora a destruição da tragédia passada que está longe de
está solucionada, conforme podemos constatar vendo essas fotos.

 

 

Foram tiradas no período de abril a novembro de 2011, pelos estagiários
do Centro de Cidadania da Praia Vermelha. Projeto que foi elaborado pela
Prefeitura de Nova Friburgo em conjunto com a UFRJ com intermédio
da Professora e Doutora Rosana Morgado em decorrência da tragédia

ocorrida em janeiro de 2011.

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Audiência Pública sobre “INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA”

A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da ALERJ
convoca todos para

Audiência Pública sobre “INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA”

Data: Terça-feira, 22/11
Horário: 10:00am – 13:00pm
Local: ALERJ – sala 316, Palácio Tiradentes, Centro

Convidados:
Secretaria Municipal de Assistência Social
Secretaria de Estado de Segurança
Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos
Coordenadoria de Saúde Mental da Secretaria de Estado de Saúde
Ministério Público Estadual
Tribunal de Justiça do Estado do RIo de Janeiro
OAB/RJ
CRP/RJ
CRESS/RJ
CONANDA

POR FAVOR DIVULGUEM!!!
VAMOS MOBILIZAR!!!

          Esse folder foi retirado do blog da saúde mental do Rio de Janeiro. Acho que todos nós nos incomodamos com uma cena como essa que está na charge acima. Mas a questão é o que podemos e vamos fazer para mudar.

Não devemos perder todas as conquistas da reforma psiquiátricas e retroceder no tratamento dessas pessoas e principalmente crianças e simplesmente tira-las das nossas vistas e fingirmos que nada acontece .Escolhi esse folder para divulgar no nosso blog afim de desmistificar um pouco o uso  do crack ou outras drogas como um caso de policia e entendermos que esse uso deve ser analisado e visto como um mal social e todos devem participar de seu cuidado.

Trabalho e Serviço Social: o redimensionamento da profissão ante as transformações societárias recentes

IAMAMOTO, M. V. Trabalho e Serviço Social: o redimensionamento da profissão ante as transformações societárias recentes In: O serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação profissional. São Paulo, Cortez, 1999. pp 112 a 148.

A acumulação flexível eclodida no cenário internacional a partir da década de 70 modificou a relação entre Estado e Sociedade Civil preconizando uma ampla reforma do Estado com diretrizes neoliberais.  Essa reforma incide diretamente na divisão social e técnica do trabalho afetando as políticas sociais, políticas de emprego e salário e o mercado de trabalho afetando de forma particular o Serviço Social.

Para fazer frente a esse novo cenário histórico é que na década de 90 tem sentido pensar ações que possam fortalecer o projeto político profissional do Serviço Social comprometido com a defesa dos direitos sociais e com a cidadania e que redimensiona a profissão para fazer frente ao novo cenário histórico.

Para reforçar e consolidar esse projeto profissional em terreno diferente do que foi gerado é preciso ser capaz de adequá-lo a nova conjuntura decifrando os determinantes e as múltiplas expressões da questão social. Significa dar conta de decifrar as múltiplas expressões da questão social em seus recortes de gênero, raça, etnia, religião, nacionalidade, enfim.

Um dos aspectos centrais da questão social hoje é a questão do desemprego e da precarização nas relações de trabalho. A globalização expõe as atividades econômicas nacionais abrindo o mercado para o capital internacional e para as modificações tecnológicas poupadoras de mão de obra na produção fazendo crescer o nível do desemprego nos países principalmente de alguns como o Brasil. Uma modalidade de contratação destituída de direitos vem sendo implementada com a justificativa de diminuição do desemprego e de redução dos encargos sociais das empresas é o trabalho temporário, ou por tarefa.

Como essas tendências não são exclusivas ao mercado de trabalho dos assistentes sociais é preciso ter a certeza de que ações isoladas de cunho corporativista não ressoam com sucesso no enfrentamento da problemática é preciso articular esforços com coletivo de trabalhadores.

Retomando a questão da Reforma do Estado as questões que se apresentam hoje e a crise fiscal do Estado, segundo os governantes, foram ocasionadas pelas responsabilidades assumidas pelo Estado. Consideram que o Estado deve deixar de ser o responsável direto pelo desenvolvimento econômico e social do país para apenas gerenciar esse desenvolvimento. Daí surge a lógica da privatização de serviços públicos e descentralização de serviços como saúde, educação e cultura para o setor público não estatal. É importante ressaltar que a lógica explicitada acima e assumida pelos governantes choca-se diretamente com a lógica das conquistas sociais da Constituição de 1988.

Os assistentes sociais também sofrem diretamente as conseqüências da Reforma do Estado no campo do emprego. Um bom exemplo é a redução dos concursos públicos, contenção salarial, falta de incentivo a carreira pública e contratação precária com perda de direitos.

Com o advento da descentralização e municipalização das políticas públicas abre-se para os assistentes sociais, a nível local,uma ampliação do mercado de trabalho principalmente nos conselhos de políticas públicas. Situa-se uma diversificação de demandas para o trabalho profissional: capacitação de conselheiros e implantação dos conselhos, elaboração de planos de assistência social, organização e mobilização popular em orçamentos participativos, assessoria e consultorias, dentre outras. Outra área emergente, mas que não exclusiva do serviço social e que sobrepõe a qualificação ao diploma refere-se à gestão de políticas públicas.

Com a lógica de retração do Estado no campo das políticas sócias e sua transferência para ONGs á precarização de das relações de trabalho e a restrição a direitos sociais e trabalhistas atingem também os profissionais técnicos inseridos nessas instituições inclusive os assistentes sociais.

O que ganha corpo também são as diversas empresas capitalistas atribuindo-se o título de empresa solidária realizando ações sociais que não intencionam mais que o lucro, a boa imagem da empresa e incentivos fiscais.

Como espaço ocupacional o campo empresarial na área de Recursos Humanos tem crescido o assistente social tem sido recrutado para dar conta de programas de qualidade de vida no trabalho, saúde do trabalhador, gestão de recursos humanos, prevenção de riscos sociais dentre outros.

Porém para responder as novas e antigas atribuições profissionais os assistentes sociais precisam capacitar-se para atuar em equipes interdisciplinares, para elaboração e realização de pesquisas, reciclagem do instrumental técnico, aprofundamento de estudos em áreas específicas, etc.

As transformações que vem ocorrendo na sociedade com o advento da lógica financeira do capital embatem fortemente sobre os valores e princípios ético políticos da profissão. Lutar a favor da consolidação desse projeto significa reconhecer como valor ético central a liberdade e reconhecer a autonomia e expansão dos indivíduos sociais, afirmar a política da democracia aprofundando seus princípios como a socialização da riqueza socialmente produzida, da política, da cultura e também prevê a eliminação de todas as formas de preconceito.

OBSERVAÇÃO: LAPA

Entre um dos principais instrumentais técnico-operativos que o Assistente Social utiliza em sua prática, está a observação. Para compreendê-lo melhor foi sugerido um Roteiro pela Docente Rosemeire Maia, que consistiu em levar a campo, a turma do segundo período do ano letivo, com a finalidade de observar o espaço e as relações conflituosas dos sujeitos com este.

O autor, antropólogo, Gilberto Velho, em seu texto “Observando o Familiar” levanta questões importantes no que diz respeito à “observação”. Lembra que a observação é uma herança das ciências sociais e pautado no positivismo afirma que o observador deve ter distanciamento máximo do observado para garantir relativa “neutralidade”.

Após uma breve apreensão metodológica escolhemos o Local a ser observado: A Lapa – área localizada no centro do Rio de Janeiro. Famosa por seus grandes arcos brancos, que vão de um ponto a outro sustentando o Bonde de Santa Tereza, é uma localidade com intensa procura turística. Historicamente é considerada uma área boêmia da cidade. É possível ler e ouvir boas histórias de autênticos malandros cariocas que viviam por suas ruas, de bar em bar, à procura do melhor samba de gafieira.

Há alguns anos, porém, a área onde se localiza a estrutura formada de grandes abóbadas tem atraído olhares de empresários e do próprio poder público. Isso significa mais investimentos em infra-estrutura. Esse movimento pode ser chamado de “Revitalização da Lapa”, como podemos constatar em grandes placas do Governo do Estado do Rio de Janeiro. A estrutura dos bares nas ruas principais (Mende Sá e Riachuelo) a cada dia que passa ganha mais sofisticação, os donos dos bares apostaram e estão transformando seus negócios para acolher um público cada vez mais elitizado. É notável essa intenção.

Não poderia afirmar quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha, mas podemos afirmar que ao passo que os donos dos grandes estabelecimentos comerciais sofisticam seus bares o governo do Estado passa a investir em infra-estrutura (estrada, iluminação) e organização (policiamento, sinalização). O investimento público trouxe o “choque de ordem” do governo Paes para as redondezas da Lapa.

Em meio esse desenvolvimentos local, hoje percebemos que economia local e as grandes atividades se foram em torno de bares, restaurantes, danceterias, hotéis, motéis e estacionamentos. Embora seja um bairro boêmio é importante salientar que é um bairro residencial e que ao pé de tanta boemia e lazer moram milhares cariocas e não cariocas, que estão pouco a pouco sempre obrigados a compartilhar seu espaço de moradia com um grande centro de lazer a céu aberto.

Às vésperas de grandes eventos esportivos mundiais, a população local vê o bairro mudando de forma, ganhando espaço e todos querem lucrar com isso, é o caso dos proprietários dos imóveis. Grandes construções irregulares são desfeitas e a população que na ilegalidade ocupa construções são despejadas. Uma grande bolha imobiliária infla cada dia mais rápido. O bairro que antes acolhia moradores de classe menos abastadas agora os impossibilitam de continuar por ali, já que o custeio de suas vidas se torna mais elevado (quase impossível).

Onde querem chegar?

Embora seja constatado e declarado que a área sofre e sofrerá mudanças de desenvolvimento urbano, ainda é possível perceber atores mais marginalizados. São sujeitos que lutam para continuar no cenário que cada dia que passa se apresenta menos apropriado. É um momento de sinestesia – espaço onde características de um antigo bairro e um emergente bairro vivem juntas, oras opostas, oras complementares.

Em determinados pontos do bairro é possível observar prostituição. São mulheres e homens que tiveram ou não seu corpo transformado e que praticam o sexo por meio de pagamentos. Ficam nas extremidades do bairro, normalmente em lugares menos iluminados.  Por todos os lados, é possível observar população de rua, sozinhos ou em grupos. Uns buscam por esmola para comer. Outros passam o tempo conversando em companhia de bebidas alcoólicas e outras drogas. Grupos de crianças e jovens adolescentes estão por todos os lados. Eles se divertem ao atravessar a rua em meio ao trânsito, brincam com os turistas e com quem passa por eles, bebem, fumam e frequentemente estão envolvidos em furtos.

As barracas que antes caminhavam em desordem e ilegais agora são cadastradas e fazem parte de um modelo logístico organizacional que pressupõe relativa padronização e segurança aos consumidores. Poucos são os ambulantes que circulam livremente pela área.

Danceterias estão espalhadas por todos os lados com os mais diversos eventos, que por sua vez, recebem os mais diversos públicos. Movimentos Raciais, Sexuais, Culturais fazem parte de uma grande miscelânea de costumes e comportamentos.

O policiamento foi intensificado, existe uma cabine do “Choque de Ordem” me no centro das ruas movimentadas. Vendem todo tipo de bebida e lanches. É possível ver por todos os lados guardas municipais, de transito e patrulhamento policial na localidade. Estes atores ajudam a manter o equilíbrio e a ordem.

Embora nós sejamos freqüentadores assíduos ou não, observar a área de uma maneira mais descritiva e crítica não é algo fácil. Distinguir o exótico do que nos é familiar é um exercício que deve ser treinado em minúcia. Entretanto, essa atividade pôde levantar vários elementos de discussão e análise que podem levar algum dia algum aprofundamento.

RESUMO: DESVENDANDO AS DETERMINAÇÕES SÓCIO-HISTÓRICAS DO INSTRUMENTAL TÉCNICO OPERATIVO DO SERVIÇO SOCIAL NA ARTICULAÇÃO ENTRE DEMANDAS SOCIAIS E PROJETOS PROFISSIONAIS.

O trabalho do serviço social insere-se nas atividades voltadas para a regulação das relações sociais criando condições necessárias ao processo de reprodução social, ou seja o profissional atua no sentido de normatizar e controlar os comportamentos sociais.

O instrumental técnico operativo utilizado pelos profissionais do serviço social e demais profissões que possuem sua prática pautada na regulação das relações sociais é diferente do instrumental utilizado na esfera da produção material.  Ainda que o processo de produção e reprodução social envolva a articulação das atividades de produção material e reprodução das atividades sociais cada uma dessas atividades tem suas peculiaridades.

Os instrumentos utilizados para a produção de bens materiais,ainda que sofisticados,funcionam como extensão do braço humano, a aplicação desses instrumentos é passível de ser apreendida pelo estudo e pesquisa de seus efeitos, e o resultado do trabalho pode ser antecipado.

Os instrumentos das atividades de regulação das relações sociais não são objetos concretos, têm caráter mais processual do que instrumental, pois se baseiam em procedimentos e atitudes que levarão homens a construírem novos conceitos e atitudes. O resultado de sua aplicação não é determinado pela sua aplicação correta e regrada. O alcance dos resultados é muito mais incerto.

O assistente social trabalha com instrumentos e técnicas que modelam o comportamento humano, sendo assim pode atender a diferentes interesses sociais, portanto sua prática nunca pode ser considerada neutra.

A profissão não acolhe somente um projeto profissional é possível encontrar diversos projetos profissionais que abarcam diferentes concepções, objetivos e práticas profissionais. Sendo assim há também diferentes significados para a utilização dos instrumentos técnico operativos da profissão. Ou seja, o instrumental também é parte da direção teórico- política da prática profissional.

Ao longo da história da profissão os instrumentais técnico operativos também tiveram diferentes tratamentos de acordo com as demandas sociais passíveis de intervenção do profissional busca-se então considerar a historicidade da utilização desses instrumentais durante o percurso da profissão no país.

Num primeiro momento foram incorporados pelos pioneiros da profissão instrumentos próprios das tradicionais formas de assistência articulados a noções técnicas incorporado pelo pensamento racionalista e impresso pela ação social católica. Os principais instrumentais utilizados nesse primeiro momento são: visitas domiciliares, elaboração de inquéritos sociais, encaminhamentos e triagem dos casos. Apesar dos instrumentais utilizados no início da profissãonão se diferenciarem das práticas utilizadas pelas ações de assistência o contexto histórico é diferente dado a crescente necessidade de respostas mais organizadas e planejadas para conter a exacerbação das contradições de classes presentes na sociedade. A filantropia não dava mais conta do enfrentamento da questão social presente na sociedade.

No período de institucionalização da profissão do país ganha espaço abordagem psicologizanteadvinda os Estados Unidos. Essa abordagem tende a converter as refrações da questão social em problemas individuais, destocados de relações sociais mais abrangentes. Colocando sobre o indivíduo a responsabilidade por seu destino social. A abordagem então utilizada é conhecida como Serviço Social de Casos constituído de três fases: Estudo, diagnóstico e tratamento.

Entre a década de 50 e 60surgiu no país outra abordagem profissional utilizada para a solução de problemas pessoais de relacionamento, socialização e como possibilidade de ajuste às normas e valores sociais vigentes. O Serviço Social de Grupos também é de influência norte americana

Também no período da década de 50 e 60 o serviço social inaugura uma abordagem profissional voltada à organização e desenvolvimento de comunidades o que possibilitou à profissão a apreensão de novos instrumentais e técnicas que antes não eram utilizados pela mesma. Essa apreensão foi possível devido ao trabalho em equipe multiprofissional operacionalizado nessa nova abordagem propiciando ao profissional a possibilidade de interação com diferentes profissões e disciplinas que embasam esse tipo de atuação em comunidades. Os novos instrumentais e técnicas utilizados pelas equipes são: documentação, observação, diálogo e entrevista, reunião, palestra, carta circular, recursos áudio visuais e pesquisa ação.

A partir dos anos 70 com a consolidação de um novo projeto profissional do serviço social: novos instrumentais técnicos operativos surgem. Agora o profissional além de executar políticas, projetos e programas ele também coordena e planeja os mesmos. Dessa nova prática os principais instrumentais utilizados pelos profissionais do serviço social são: a pesquisa social e o planejamento. É necessário no entanto salientar que essa modernização não se deu despretenciosamente. Na verdade a onda da modernização conservadora que transitava no Estado ditatorial requisitava profissionais capacitados tecnicamente com as características profissionais explicitadas acima.

Com o fim da ditadura militar conquista hegemonia um novo projeto profissional que rompe com o pensamento conservador da profissão e entende que as problemáticas sociais são relacionadas as desigualdades produzidas pelo capitalismo. A partir daí a atuação profissional volta-se para abordagens coletivas de de mobilização da população buscando atuando junto a ela na reivindicação de necessidades sociais. Destacam-se os seguintes instrumentais: assembleias, realização de abaixo assinados, organização de comissões e grupos de trabalho.

RESUMO: DESVENDANDO AS DETERMINAÇÕES SÓCIO-HISTÓRICAS DO INSTRUMENTAL TÉCNICO OPERATIVO DO SERVIÇO SOCIAL NA ARTICULAÇÃO ENTRE DEMANDAS SOCIAIS E PROJETOS PROFISSIONAIS.

Rosa Lúcia Prédes Trindade

“A prática do assistente social: conhecimento, instrumentalidade e intervenção profissional”.

No Serviço Social desde a sua base na esfera religiosa até sua profissionalização e os momentos históricos que a constituíram, a dimensão técnica instrumental sempre teve lugar destacado.É crucial situar o Serviço Social no âmbito histórico, pois a profissão se constitui no momento em que os setores dominantes (Estado e empresariado) começam a intervir nas conseqüências da “questão social”, através das políticas sociais.

Segundo Carvalho e Iamamoto (2005), o Serviço Social é requisitado pelas complexas estruturas do estado e das empresas, de modo a promover o controle e a reprodução (material e ideológica) das classes subalternas. Assim a dimensão prática (técnico-operativa) tende a ser objeto privilegiado de estudos no âmbito da profissão.Que de inicio eram funções meramente executivas das políticas sociais.Ficando ao cargo de outras categorias profissionais e dos Governos.Ao Serviço Social cabia apenas excuta-las, na relação direta com os usuários.

O Movimento de Reconceituação do Serviço Social criticou duramente essa divisão, e proporcionou um aprofundamento teórico-metodológico (diálogo com a tradição marxista e com a obra marxiana) possibilitando á profissão romper com esse caráter meramente executivo e conquistou novas funções e atribuições no mercado de trabalho, sobretudo do ponto de vista das políticas sociais.Tal conquista encontra-se no:

Art 4°.São competências do Assistente Social:

II.elaborar,coordenar,executar e avaliar planos,programas e projetos que sejam do âmbito de atuação do Serviço Social com participação da sociedade civil(CFESS:2002,p.17)

As competências do Serviço Social na contemporaneidade: política, ética, investigação e intervenção

A partir de então, entramos no período em que os autores contemporâneos da profissão chamam de “maturidade acadêmica e profissional do Serviço Social” (Netto, 1996).Definindo novos requisitos para status de competência profissional.Iamamoto(2004) apontou 3 dimensões que devem ser do domínio do Assistente Social:

. Competência ético-política

. Competência teórico-metodologica

. Competência técnico-operativa

Essas três dimensões de competências nunca podem ser desenvolvidas separadamente-caso contrario, cairemos nas armadilhas da fragmentação e da despolitização, tão presentes no passado histórico do Serviço Social (Carvalho & Iamamoto,2005).

Contudo, articular essas três dimensões coloca desafio fundamental, e que vem sendo um tema de grande debate entre profissionais e estudantes de Serviço Social: a necessidade da articulação entre teoria e prática.Investigação e intervenção, pesquisa e ação, ciência e técnica não devem ser encaradas como dimensões separadas, pois isso pode gerar uma inserção desqualificada do Assistente Social no mercado de trabalho, bem como ferir os princípios éticos fundamentais que norteiam a ação profissional.

Teoria e prática ,método e metodologias.

Se atuar no e sobre o cotidiano das populações menos favorecidas é um componente fundamental do Serviço Social, é com vistas a transformações nesse cotidiano que a prática profissional deve se dirigir.

Os seres humanos são seres essencialmente sociais, ou seja, vivem em uma determinada sociedade. Nenhuma situação pode ser considerada apenas em sua singularidade, pois senão corre-se o sério risco de se perder de vista a dimensão social da vida humana.Portanto, qualquer situação que chega ao Serviço Social deve ser analisada a partir de duas dimensões: singularidade e a universalidade.Para tal é necessário que o Assistente Social tenha um conhecimento teórico profundo sobre as relações sociais fundamentais de uma determinada sociedade (universalidade),e como elas se organizam naquele determinado momento histórico,para que possa superar essas”armadilhas”que o senso comum do cotidiano prega.É na relação entre universalidade e a singularidade que se torna possível apreender as particularidades de uma determinada situação.

Tendo esse conhecimento, o profissional pode planejar a sua ação com muito mais propriedade, visando à mudança dessa mesma realidade.Assim, no momento da execução da ação profissional, o Assistente Social constrói suas metodologias de ação, utilizando-se de instrumentos e técnicas de intervenção social.

A diferença entre método de investigação e metodologia de ação põe uma reflexão fundamental para quem se propõe a construir uma prática profissional competente e qualificada: são os objetivos profissionais que definem que instrumentos e técnicas serão utilizados-e não o contrário.E esses objetivo, planejados e construídos no plano político e intelectual,só podem ser expressos se o Assistente Social conhece a realidade social sobre a qual sua ação vai se desenvolver.

A instrumentalidade do Serviço Social   

         A realidade social é complexa, heterogênea e os impactos de qualquer intervenção dependem de fatores que são externos a quem quer seja-inclusive ao Serviço Social.

Em outras palavras, os instrumentos e técnicas de intervenção não podem ser mais importantes que os objetivos da ação profissional.Se partirmos do pressuposto que cabe ao profissional apenas ter habilidade técnica de manusear um instrumento de trabalho, Assistente Social perdera a dimensão do porquê ele esta utilizando determinado instrumento.Sua pratica se torna mecânica, repetitiva, burocrática.

Assim, pensar a instrumentalidade do Serviço Social é pensar para alem da “especificidade” da profissão: é pensar que são infinitas as possibilidades de intervenção profissional, e que isso requer, nas palavras de Iamamoto(2004),”tomar um banho de realidade”

Observação participante

        Trata-se de uma observação participante-o assistente social, além de observar, interage com outro e participa ativamente do processo de observação.

Entrevista individual e grupal

Entrevistar é mais do que apenas “conversar”: requer um rigoroso conhecimento teórico-metodológico (Silva1995), a fim de possibilitar um planejamento serio da entrevista, bem como a busca por alcançar os objetivos estabelecidos para sua realização.

Dinâmica de grupo

É uma técnica que utiliza jogos, brincadeiras, simulações de determinadas situações, com vistas a permitir que os membros do grupo produzam uma reflexão acerca de uma temática definida.No caso do Serviço Social, uma temática que tenha relação com o objeto de sua intervenção-as diferente expressões da “questão social”.

Reunião

        Assim com a dinâmica de grupo as reuniões são espaços coletivos.São encontros grupais, que tem como objetivo estabelecer alguma espécie de reflexão sobre determinado tema.Mas, sobretudo, uma reunião tem como objetivo a tomada de uma decisão sobre algum assunto.

Mobilização de comunidades

Trabalhar em comunidade significa compreende-la dentro de um contexto econômico, social, política e cultural de uma sociedade dividida em classes sociais – e que ela não esta descolada da totalidade da realidade social.Significa criar estratégias para mobilizar e envolver os membros de uma população.

Visita domiciliar

Trata-se de um instrumento que tem como principal objetivo conhecer as condições e modos de vida da população usuária em sua realidade cotidiana, ou seja, no local onde ela estabelece suas relações do dia-a-dia: em seu domicilio.

Considerações finais

Nosso objetivo, aqui, foi apresentar, de forma bem sucinta, os principais instrumentos e técnicas de intervenção utilizada pelo Serviço Social no cotidiano de sua pratica.O instrumental é o resultado da capacidade criativa e da compreensão da realidade social, para que alguma intervenção possa ser realizada com o mínimo de eficácia, responsabilidade e competência profissional.

Mas é importante ressaltar que, independente do instrumento que se utilize, a dimensão ético-política deve ser constantemente refletida e pensada.Pois os instrumentos não são estáticos, estanques: eles respondem as necessidades dos profissionais a partir de diferentes contextos e realidades sociais.Cabe a nós, Assistentes Sociais, e, sobretudo, pesquisadores, ter a capacidade de conhecer essa pluralidade de práticas – e isso só será possível quando todos nos entendermos a necessidade e a importância da sistematização de nossas praticas-porque é através disso que podemos sempre reconstruir a história da nossa profissão em nosso país e aperfeiçoar seus modos de intervenção social.

Texto 4

Helena (ROdrigo

‘Criando’ um instrumento

contar como criamos em np, contar da dinamica em sala e falar da importancia da entrevista

Quem somos?

O ‘TI 2011.2’ foi criado como forma de avaliação da disciplina Técnicas Interventivas, ministrada para Prof. Dra. Rosimere Maia, no segundo período de 2011 na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro. Nele faremos postagens com assuntos pertinentes à disciplina e aos que tangem a profissão do Serviço Social.

Somos um trio que faz parte de um Projeto de Pesquisa e Extensão e Estágio na Região Serrana que visa intervenção do profissional em áreas que sofreram com tragédia climática. Acompanhamos usuários em situação de vulnerabilidade social em um aparelho estatal que está inserido na proteção especial de alta complexidade: o abrigo intitucional.

Nossa segunda vertente de intervenção consiste em acompanhar as famílias que passaram pelo abrigamento, mas hoje já moram em suas residências.

Espero que gostem do nosso trabalho!

Grupo TI 2011.2.

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